ENTREVISTA: Primeira cidade inteligente social do mundo será construída no Ceará

POR: Margareth Castro – Siga no Instagran: @notaseprosas

Imagine morar em uma cidade onde existe qualidade de vida porque a utilização dos recursos naturais e o consumo de energia foram otimizados, diminuindo a produção de poluentes e onde o cidadão tem acesso a eficientes serviços tecnológicos e de mobilidade? Tudo isso pode se tornar realidade em pouco tempo no Brasil, mais precisamente no Ceará, onde está sendo construída a primeira cidade inteligente social do mundo.

A cidade inteligente será construída em Croatá, distrito de São Gonçalo do Amarante em uma área de 3.3 milhões m² e para 25 mil habitantes. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que em 2030 mais de 70% do total da população da Terra estará vivendo em centros urbanos. As novas cidades recorrem a planejamentos e gestões urbanas que buscam suprir as necessidades sociais e econômicas do cidadão, beneficiando e atraindo os pequenos negócios.

Para falar sobre as “Smart Cities”, o Notas&Prosas entrevistou com exclusividade a arquiteta Antonella Marzi, que estará em Uberlândia nos dias 9 e 10 de agosto na 1ª edição do Congresso Internacional de Tecnologia, Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade (Cities).

Confira abaixo a entrevista:

Notas&ProsasDefina o conceito de cidade inteligente

Antonella Marzi – Cidade inteligente no conceito da Planet e do nosso grupo pensa trabalha em cima de quatro pilares: Meio Ambiente, Tecnologia e serviços, Pessoas, Planejamento Urbano. Cada pilar tem a própria autonomia, mas tem relacionamento contínuo com os outros pilares. Cidade inteligente não é só tecnologia, envolve planejamento urbanístico, as condições de mobilidade urbana, a distribuição das áreas habitacionais e comerciais, as áreas verdes integradas e espaços públicos. Não existe cidade que não envolva uma política pública.

A construção da cidade inteligente é um projeto piloto no Brasil e o fato de ser social é pioneiro no mundo. O que define o social?

Social significa uma cidade aberta para todos, uma cidade inclusiva. Uma cidade que o cidadão pode ter acesso a todos os tipos de classe social e de pessoas. Tem exemplos de cidades no mundo em que são aplicados o conceito de Cidade Inteligente, mas os projetos são muito caros e a maioria das pessoas não consegue ter acesso. A Smart Cities, esse protótipo que estamos trazendo para o Brasil, nasce a partir da faixa menor (faixa Minha Casa, Minha Vida), mas cresce com essa distribuição integrada. Estamos construindo uma cidade para atender essa população menor, mas também para integrar essa outra população na realidade urbana, sem distinção de faixa social. A infraestrutura da Smart City é pensada em como crescer pensando na cidade. No primeiro momento focamos na faixa menor por causa da localização do empreendimento e nas exigências mundiais de habitação. A ideia é eliminar aqueles preconceitos tradicionais de loteamentos como o Minha Casa, Minha Vida e trabalhar a condição de integração dessas faixas.

O empreendimento tem algum subsídio do governo federal?

Não. Os investimentos são privados e chegam todos da Itália e de Londres.

Por que a escolha do Ceará para o projeto piloto?

Todos perguntam porque o Ceará? A localização desse estado é muito boa na visão mundial, na visão de conexão que ele tem e que essa área tem de desenvolvimento avançado. Em 2011, um artigo em uma revista que se chama “The Economist” colocou o Porto do Pecém como uma área fundamental para se investir, com potencial enorme de atrair investidores internacionais. A colocação da Smart City próxima ao Porto é estratégica. O Grupo Planet chegou pelo Porto, um importante modal. Atrás do Porto de Pecém tem uma área que está crescendo, de 2,5 mil hectares e ainda várias empresas que estão se desenvolvendo na região. Há uma carência muita elevada de habitações que sejam focados nessa condição, de ter uma realidade completa de mixed use.

Quando o empreendimento deve ser concluído?

A primeira fase de implantação será concluída no fim de 2017 e a segunda fase em meados do próximo ano. A construção da segunda fase de implantação a partir de 2018 até 2022.

Existe a ideia de levar o projeto de Cidade Inteligente para outros estados?

Sim. Existe discussões para ver a viabilidade em outros estados. Estamos contatos muito interessantes, principalmente no Sudeste, em São Paulo.

Você é uma das convidadas do Cities. Qual a expectativa para este evento?

Acho um convite muito interessante. É uma oportunidade para falar sobre o projeto para várias categorias, inclusive para estudantes e empresários. Espero que durante esse evento todo esse público esteja presente e que entenda qual o papel de cada um, de cada setor e como essas áreas podem se integrar.

FOTO: Divulgação

VÍDEO: Filmagem e edição-  Cristiane de Paula

 

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About Margareth Castro

Jornalista profissional há 22 anos. Experiência em todos os veículos de comunicação, com maior vivência em impressos (jornal e revista) e em assessoria de comunicação empresarial e política.

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