Caged: Minas começa 2026 com mais de 7 mil empregos formais; indústria lidera contratações

Saldo de vagas cresce 56% em relação ao mesmo período do ano passado; micro e pequenas empresas respondem por um quarto das novas vagas

 

O mercado de trabalho formal em Minas Gerais iniciou 2026 com saldo positivo de 7.425 empregos com carteira assinada, segundo levantamento realizado pelo Sebrae Minas, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado representa crescimento de 56,4% na comparação com janeiro de 2025, quando haviam sido criados 4.745 postos, e sinaliza retomada após o saldo negativo típico de dezembro, período marcado pelo encerramento de contratos temporários.

Os números resultam de 225.801 admissões e 218.376 desligamentos no primeiro mês do ano. A reversão em relação a dezembro de 2025, quando o saldo havia sido negativo em mais de 73 mil vagas, confirma o movimento sazonal de recomposição do emprego formal no início do ano.

Entre os setores da economia, indústria e construção civil foram os principais responsáveis pelo saldo positivo, com saldo de 9.416 vagas e 4.041 vagas, respectivamente. Já comércio e serviços apresentaram retração, com fechamento de 5.789 e 1.560 postos, refletindo o ajuste após o período de contratações do fim de ano.

As micro e pequenas empresas (MPE) voltaram a apresentar saldo positivo em janeiro, com saldo positivo de 1.874 vagas, embora em ritmo inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Esse volume representa 25,2% de todo o saldo de empregos formais do estado, enquanto médias e grandes empresas responderam por cerca de 63,6% das novas vagas.

Regionalmente, a geração de empregos apresentou forte variação dentro do estado. As maiores expansões ocorreram nas regiões Centro-Oeste e Sudoeste (2.559 vagas), Sul de Minas (1.483) e Triângulo Mineiro (1.462). Já a região do Rio Doce e Vale do Aço registrou retração de 1.500 vagas, sendo o principal resultado negativo no período.

Entre os municípios, os maiores saldos positivos foram observados em Nova Serrana (733 vagas), Nova Lima (649), Capelinha (517) e Extrema (513). No recorte das micro e pequenas empresas, Uberlândia liderou a geração de empregos, com saldo de 618 vagas.

Jovens e ensino médio predominam nas contratações
Entre os trabalhadores contratados pelas micro e pequenas empresas, 56,4% foram homens e 43,6% mulheres. A faixa etária com maior participação foi a de 18 a 24 anos, responsável por 28,6% das admissões, indicando que os pequenos negócios seguem como importante porta de entrada para jovens no mercado de trabalho formal.

A escolaridade predominante entre os contratados foi ensino médio completo, presente em 67,7% das admissões realizadas por MPE no período. O salário médio de contratação ficou em R$ 2.161,47, valor ligeiramente superior ao salário médio dos desligamento, que foi de R$ 2.079,04.

O que esperar da economia nos próximos meses
Apesar do início positivo, a tendência para os próximos meses é de crescimento mais moderado do emprego, influenciado por condições financeiras ainda restritivas e pelo custo elevado do crédito.

“No mês de janeiro, a geração de empregos em Minas Gerais foi impulsionada, principalmente, pela indústria e construção civil. Para os próximos meses, a expectativa para os dados do mercado de trabalho no estado é de continuidade da geração líquida positiva de empregos, com atividades ligadas à serviços educacionais e à agropecuária, em especial o café, fortalecendo a sustentação da atividade econômica estadual, enquanto outras atividades tendem a apresentar crescimento mais gradual”, comenta o analista do Sebrae Minas Marcílio Duarte.

Sobre o Caged
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), instituído pela Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, foi criado como instrumento de acompanhamento e fiscalização mensal das admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A partir de 1986 passou a ser utilizado como suporte ao pagamento do seguro-desemprego e, mais recentemente, tornou-se um relevante instrumento à reciclagem profissional e à recolocação do trabalhador no mercado de trabalho.

O cadastro constitui importante fonte de informação do mercado de trabalho de âmbito nacional e de periodicidade mensal. Desde janeiro de 2020, o uso do Sistema do CAGED foi substituído gradativamente pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Atualmente, todas as empresas estão obrigadas a declarar as movimentações por meio do eSocial.

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