Médico alerta sobre a letalidade da doença e a necessidade de realizar exames preventivos
A campanha Março Vermelho foi criada para trazer um alerta à população: o câncer renal, também chamado de carcinoma de células renais, é uma doença silenciosa e potencialmente agressiva, representando, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 3% dos cânceres diagnosticados no Brasil, e que pode ser letal se não for identificado e tratado precocemente.
Segundo o Inca, o Brasil deve registrar cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano até 2025. Em Minas Gerais, a estimativa é de 234 mil novos casos no mesmo período. O câncer de rim não está entre os mais incidentes, mas sua relevância cresce devido ao diagnóstico frequente em estágios avançados, quando os tratamentos são mais limitados.
A estimativa para o Brasil, no triênio 2023-2025, aponta que os homens apresentam mais casos da doença que as mulheres, disparidade que pode estar relacionada a fatores de risco como tabagismo e hipertensão, que afetam mais a população masculina, bem como a falta de exames preventivos.
De acordo com o urologista do Hospital Madrecor, complexo hospitalar da Hapvida, em Uberlândia-MG, João Paulo Martins Rophino Baptist, diversos fatores aumentam o risco de desenvolvimento do câncer renal. “O tabagismo é um dos mais relevantes, assim como a obesidade, hipertensão arterial, doença renal crônica e predisposição genética. Doenças hereditárias, como a Síndrome de Von Hippel Lindau, também podem aumentar a probabilidade da doença em famílias afetadas. Além disso, a idade é um fator determinante, já que a ocorrência do câncer de rim aumenta com o envelhecimento”, afirma.
Sintomas e diagnóstico
Segundo João Paulo Baptist, o câncer de rim pode ser assintomático nos estágios iniciais, o que dificulta a detecção precoce. “No entanto, sinais como dor lombar persistente, sangramento na urina, anemia, fadiga e até mesmo crescimento anormal no abdômen podem indicar a presença da doença em fases mais avançadas”, explica o médico.
O diagnóstico geralmente é feito por exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia. A biópsia, embora menos comum, pode ser indicada para confirmação em alguns casos específicos.
O urologista explica que o principal tratamento para o câncer renal é a cirurgia, que pode envolver a remoção completa do rim afetado ou apenas do tumor, dependendo do tamanho e da localização da lesão. “Nos casos mais graves, em que há metástase, o uso de imunoterapia tem se mostrado uma alternativa eficaz para prolongar a sobrevida do paciente”, diz.
A boa notícia, segundo o especialista, é que pacientes tratados em estágios iniciais podem ter uma vida normal após a recuperação, especialmente aqueles que conseguem preservar parte do rim. No entanto, os cuidados devem ser constantes, incluindo acompanhamento médico regular por, pelo menos, cinco anos.
Conscientização
A campanha Março Vermelho tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prevenção do câncer de rim. Hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, controle do peso e abandono do tabagismo, são essenciais para reduzir os riscos da doença. “A prevenção é sempre o melhor caminho. Adotar um estilo de vida saudável e realizar exames periódicos pode ser a chave para evitar essa doença silenciosa e perigosa”, destaca o urologista.
Baptist acredita que, com o aumento do acesso aos exames preventivos, a tendência é que mais casos sejam identificados em estágios iniciais, ampliando as chances de cura e reduzindo a mortalidade associada ao câncer renal.
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O câncer renal é uma doença silenciosa e potencialmente agressiva