Mais do que uma questão estética, o melasma pode afetar autoestima e qualidade de vida de muitas mulheres
As manchas surgem silenciosamente. Primeiro, quase imperceptíveis. Depois, mais marcadas, ocupando espaço na testa, nas bochechas ou acima dos lábios. Para muitas mulheres, o melasma começa assim: discreto, mas capaz de provocar mudanças profundas na forma como passam a se ver no espelho. Embora apareça principalmente no rosto, o melasma também pode atingir outras áreas expostas ao sol, como colo e braços, e não é uma condição exclusiva das mulheres, homens também podem apresentar as manchas.
Mais do que uma condição estética, o problema pode impactar a autoestima, o bem-estar emocional e até a rotina de quem convive com as manchas no rosto. Embora não represente risco à saúde física, o transtorno muitas vezes ultrapassa a pele.
A condição dermatológica é mais comum em mulheres e costuma estar associada à exposição solar, fatores hormonais e predisposição genética. Mas especialistas alertam que o melasma também pode ter relação com aspectos emocionais.
Segundo a médica dermatologista Cíntia Cunha Cunha, da Clínica Audatti, o primeiro passo para tratar o problema é entender que nem toda mancha no rosto é melasma.
“Nem toda mancha no rosto é melasma. Seu dermatologista precisa fazer o diagnóstico correto para que você tenha sucesso no tratamento”, explica.
Quando a pele reflete o que sentimos
Nos últimos anos, estudos têm apontado uma conexão cada vez mais clara entre saúde emocional e condições dermatológicas.
De acordo com a dermatologista, situações de estresse intenso e períodos de ansiedade podem contribuir para o agravamento do melasma.
“Estudos mostram que o melasma pode piorar com estresse, depressão e estados emocionais difíceis. E eu vejo isso na prática. A pele não é desconectada do cérebro nem da alma. Ela reflete nossa saúde em todos os sentidos. Essa relação ajuda a explicar por que, muitas vezes, o melasma aparece ou se intensifica em fases de maior pressão emocional, mudanças hormonais ou períodos de grande desgaste físico e mental”, afirma.
Novas moléculas ampliam as possibilidades de tratamento
Embora o melasma tenha caráter crônico, avanços da dermatologia têm ampliado as possibilidades de controle da condição, especialmente com o surgimento de novas moléculas no tratamento.
“Moléculas como o thiamidol têm mudado drasticamente os resultados dos pacientes quando aliado à condução correta do tratamento, sem efeitos colaterais”, destaca.
O thiamidol é um ativo dermatológico que atua diretamente no processo de formação da melanina, pigmento responsável pela coloração da pele. Ele age bloqueando a ação da enzima tirosinase, uma das principais responsáveis pela produção de pigmento nas células da pele. Ao reduzir essa produção, o ativo ajuda a clarear as manchas já existentes e a controlar o surgimento de novas áreas escurecidas.
O acompanhamento dermatológico é essencial para definir o protocolo mais adequado, que pode incluir dermocosméticos específicos, tecnologias dermatológicas e cuidados diários, especialmente com o uso rigoroso de protetor solar.
Muito além da aparência
Por surgir justamente no rosto, região que concentra grande parte da identidade e da expressão das pessoas, o melasma pode afetar a forma como muitas mulheres se apresentam socialmente.
Em alguns casos, pacientes relatam desconforto ao aparecer em fotografias, insegurança em eventos sociais ou frustração ao lidar com tratamentos prolongados. Isso acontece porque o melasma exige acompanhamento e cuidados contínuos para evitar o reaparecimento das manchas.
(BOX) O que pode piorar o melasma
Alguns fatores podem estimular a produção de melanina e favorecer o surgimento ou o agravamento das manchas:
Exposição solar
A radiação ultravioleta é um dos principais desencadeadores do melasma
Alterações hormonais
Gravidez, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal podem favorecer o aparecimento das manchas
Estresse e desgaste emocional
Estados de ansiedade, estresse e depressão podem agravar o quadro em alguns pacientes
Calor excessivo
Ambientes muito quentes e exposição prolongada ao calor também podem estimular a pigmentação
Uso de produtos inadequados
Cosméticos ou tratamentos sem orientação médica podem irritar a pele e piorar as manchas
