No mês em que é celebrado o Dia Internacional da Felicidade, a especialista Renata Rivetti compartilha reflexões e dicas essenciais para ajudar as pessoas a encontrarem propósito, realização e bem-estar em suas jornadas
O filósofo Aristóteles já dizia há mais de 2 mil anos, em seu livro “Ética a Nicômaco”, que “a felicidade é o sentido e o propósito da vida, o único objetivo e a finalidade da existência humana”. Ou seja, todos querem ser felizes, isso é fato. Mas o cenário atual é de infelicidade, como mostra em suas palestras a especialista em felicidade e uma das principais referências do tema no Brasil, Renata Rivetti – CEO e fundadora da Reconnect Happiness at Work & Human Sustainability.
Segundo a OMS, a ansiedade é considerada o mal do século, com mais de 300 milhões de pessoas ansiosas no mundo. E o Brasil lidera o ranking global, com mais de 18 milhões de ansiosos. Pesquisa da Vittude também mostrou que 33% dos profissionais brasileiros enfrentam transtornos mentais em níveis graves ou extremamente graves, associados também à depressão e ao estresse. Dito isso, como as pessoas podem ser felizes se estão ansiosas, estressadas e com depressão?
Diante desse cenário, o Dia Internacional da Felicidade (20/03) pode ser um convite para refletir sobre as causas da infelicidade e pensar em mudanças, como mostra a especialista Renata Rivetti.
O que está deixando a sociedade infeliz?
“Vivemos um enorme vazio existencial. Construímos uma sociedade que se anestesia e busca preencher o vazio com dopamina rápida”, explica Renata. “Somos viciados em redes sociais, compras, entretenimento superficial e telas. Vivemos o hedonismo moderno e seguimos tentando encontrar a felicidade instantânea, que não vai trazer plenitude às nossas vidas”, revela.
Outros três fatores que causam infelicidade segundo a especialista são:
– A mente divagante, já que passamos 47% do tempo divagando (Harvard), o que nos afasta do que realmente importa para a felicidade;
– O viés negativo intrínseco ao ser-humano, que está sempre buscando por perigos e focando em todas as questões negativas que nos cercam;
– E o mundo hustle, que valoriza o trabalho incessante e a produtividade acima de tudo. “Essa cultura de viver de forma acelerada só tem nos adoecido”, explica.
E como mudar essa realidade atual? Quais atitudes nos tornarão mais felizes?
Renata Rivetti explica que é preciso entender a felicidade como uma ciência, já existem inúmeros estudos, livros e cursos sobre a Ciência da Felicidade. “Precisamos entender os fatores que estão por trás, são eles: intenção, autoconhecimento, autorresponsabilidade e disciplina, e realizar mudanças”, revela.
– Intenção: A felicidade é uma construção diária, ela precisa ser intencional, o que inclui novas escolhas, novos hábitos, mudanças de comportamentos e relações. Ela é a primeira chave desta jornada.
– Autoconhecimento: O próximo ponto é que precisamos entender quem somos, o que estamos buscando, o que nos traz realização e significado. “Só o próprio indivíduo terá essas informações sobre si mesmo. Se não souber, vai seguir o que é imposto pela sociedade e ser infeliz, ou mesmo viver da dopamina rápida”, explica Renata.
– Autorresponsabilidade: Assim como acontece com o autoconhecimento, você é responsável por si mesmo e por seus atos! Renata costuma comparar a felicidade com a saúde: “todos temos um ponto de partida genético, mas podemos ir além das ‘predisposições’ que recebemos em nosso DNA. Podemos fazer escolhas e construir uma vida mais saudável, com boas relações, sentido e realização”, continua.
– Disciplina: Todos os dias precisamos fazer escolhas e segui-las. “Posso deixar a vida ‘me levar’ ou assumir a disciplina de construir algo que me faz bem e seguir nessa jornada”.
“Sem romantizar o tema, a felicidade é algo simples. Mas ela não virá de novas compras, comida, likes nas redes sociais e seguidores. E sim de uma vida com mais realização, significado, desafios que façam sentido e um grupo de apoio”, continua Renata Rivetti.
O modelo PERMA
Segundo a Psicologia Positiva – uma das vertentes da Ciência da Felicidade – o caminho para ser mais feliz ainda inclui atitudes que valorizam as competências humanas. Essas ações foram descritas pelo psicólogo Martin Seligman e ficaram conhecidas como modelo PERMA.
Segundo o modelo, os passos para a felicidade se concentram em cinco pilares: a emoção positiva, o engajamento, os relacionamentos positivos, propósito e a realização. Pensando nisso, a especialista em felicidade Renata Rivetti aproveita para gerar reflexões com base no PERMA. “Responda as questões a seguir e tente promover mudanças práticas em sua rotina, com base nas suas respostas”, convida.
Emoção Positiva – Quais atividades te geram emoções positivas e que podem ser incluídas em sua vida e rotina hoje?
Engajamento – O que te desafia, mas está dentro da sua capacidade? Quais atividades te dão prazer, gerando bem-estar? Que você faz “sem ver o tempo passar”?
Relacionamentos Positivos – O que você pode fazer para melhorar as suas relações pessoais e profissionais? É muito importante manter relações positivas, se sentir amado, valorizado.
Propósito ou Significado – O que te motiva? O que te traz satisfação e significado?
Realização – Qual realização te dá mais orgulho? O que ainda pode te trazer mais realização? As suas escolhas estão alinhadas com os seus valores?